JNEC-CI 2026: CICC traça o caminho para transformar a volatilidade dos preços numa alavanca para o crescimento sustentável

JNEC-CI 2026: CICC traça o caminho para transformar a volatilidade dos preços numa alavanca para o crescimento sustentável

Abidjan, 21 de janeiro de 2026 – À margem da 6ª Jornada Nacional dos Exportadores de Caju (JNEC-CI), o Conselho Consultivo Internacional do Caju (CICC) transmitiu uma mensagem forte e impactante sobre o futuro dos mercados de caju em África.

Num discurso memorável, o Sr. Malamine Sanogo, em representação do CICC, defendeu uma transformação profunda: fazer com que África deixe de ser um mero recetor de preços e se torne um ator capaz de influenciar a formação global dos preços.

Um painel de alto nível no centro das questões

Esta reflexão estratégica foi realizada durante um painel que reuniu atores-chave do setor:
• Aliança para o Caju Africano, representada pelo Sr. Issakou Moussa;

• Organização Agrícola Interprofissional – Caju, presidida pelo Sr. Soro Beh;

• Fundo Interprofissional para a Investigação e Serviços de Aconselhamento Agrícola (FIRCA), representado pela Sra. Assita Traoré, Diretora Executiva Adjunta.
Nas suas observações iniciais, o Sr. Sanogo elogiou a Associação de Exportadores de Caju da Costa do Marfim (AEC-CI), em nome do Secretário Executivo da CICC, pela organização bem-sucedida desta 6ª edição do JNEC-CI, bem como todos os participantes pela qualidade das discussões.

Volatilidade dos preços: um grande desafio estrutural


No seu diagnóstico, o Sr. Sanogo descreveu a volatilidade dos preços da castanha de caju como um “superfator de instabilidade” para o setor africano.

Os seus impactos fazem-se sentir em três pilares fundamentais:
• Rendimento dos produtores, enfraquecido por flutuações imprevisíveis;

• A qualidade da castanha é frequentemente afectada quando a incerteza desencoraja as boas práticas pós-colheita;

• Processamento local, cuja competitividade depende de uma maior visibilidade dos custos de fornecimento.
Embora reconhecendo que a volatilidade é inerente aos mercados globais de mercadorias, o Sr. Sanogo sublinhou que a mesma é exacerbada em África pela ausência de mecanismos endógenos de formação de preços e pela forte dependência dos compradores internacionais.

O papel estratégico da CICC: coordenar, não operar


Perante estes desafios, o representante da CICC lembrou a vocação institucional da organização, que reúne hoje 12 países produtores.

A CICC não se posiciona como um operador de mercado, mas sim como um arquiteto estratégico de soluções regionais.

“A nossa ambição é clara: apoiar África na sua transição de uma posição de subordinação de preços para uma capacidade progressiva de influenciar os mercados globais”, afirmou.

Esta ambição assenta, em particular, em:
• a harmonização dos quadros regulamentares;

• o reforço da consulta regional;

• a implementação de uma monitorização estratégica eficaz do mercado.

Ferramentas concretas para regular e proteger o setor

Para dar uma resposta duradoura à volatilidade, foram apresentadas diversas alavancas estruturais:
• A “Rota CICC”, concebida como uma ferramenta para estruturar as trocas e estabilizar os fluxos;
• Bolsas de mercadorias, permitindo uma melhor gestão do risco e a mobilização de financiamento adaptado ao setor do caju;

• Mecanismos de regulação pública, integrando quer as realidades técnicas (produção, rastreabilidade, qualidade), quer as dimensões sociais específicas dos territórios produtores.

Rumo à soberania económica do setor do caju


Em conclusão, o Sr. Sanogo reafirmou que o futuro do caju africano depende de políticas públicas ousadas e coordenadas, enraizadas nas realidades locais.

A CICC continuará a trabalhar para garantir que o valor criado pelo sector é distribuído de forma mais equitativa e que os instrumentos modernos de regulação e financiamento se tornam salvaguardas genuínas para os produtores africanos.

Plus d'articles